Tratamentos antienvelhecimento não têm comprovação científica

Além da falta de comprovação científica da maioria delas quanto à sua eficácia, as novas terapias de combate aos efeitos do envelhecimento podem comprometer o bom funcionamento do organismo e aumentar os riscos de câncer. O alerta contundente é da presidenta da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) , Silvia Pereira.

“Estão vendendo ilusão de antienvelhecimento para a população sem nenhuma comprovação científica e que pode fazer mal a saúde. Com a idade, o metabolismo mais lento e a ingestão de algumas substâncias podem aumentar o risco de várias doenças”, alertou a médica. A reposição de nutrientes e o uso de remédios, como hormônio do crescimento (GH), para ganhar músculos e queimar gordura com facilidade, podem aumentar a incidência de cânceres.

Segundo a médica, estudos sobre vitaminas E, C e betacaroteno, por exemplo, apontam que, se consumidas em excesso, essas substâncias aumentam o risco de câncer e não reduzem doenças crônico-degenerativas.

Velhice não é doença

O diretor da entidade, Rubens de Fraga, ressaltou que velhice não é doença e, portanto, não deve ser prevenida. “Hoje os consumidores estão obcecados com o envelhecimento. Esse mercado gera US$ 100 bilhões por ano no mundo. Tem seu lado positivo, que é a busca da alimentação balanceada e do exercício físico. “Mas tem o lado negativo, que é o medo das rugas e a idolatria dos ideais de juventude eterna. Os velhos são bibliotecas vivas e em muitos casos sustentam famílias inteiras. Não existe uma pílula mágica. O importante é buscar envelhecer com autonomia e independência,” afirma.

Fraga criticou a venda dos chamados hormônios bioidênticos para retardar a velocidade do envelhecimento, que são produzidos em laboratório, e passam por um processo industrial de síntese, transformação ou de modificação na sua estrutura química. “Não existe estudo científico sério que ateste qualquer benefício dos hormônios chamados bioidênticos manipulados. A fabricação individualizada de um hormônio é praticamente impossível,” garante ele.

Antienvelhecimento sem base científica

Tendo em vista a proliferação de propostas de tratamentos que alegam prevenir, retardar, modular ou reverter o processo de envelhecimento, bem como prevenir doenças crônicas e promover o envelhecimento saudável através de reposição hormonal, suplementação vitamínica e/ou uso de antioxidantes, a SBGG designou um grupo de especialistas para realizar revisão da literatura científica sobre o assunto.

Foram consultados 164 estudos com o objetivo de avaliar a eficácia e a segurança do uso dessas substâncias com os fins alegados pelos produtos colocados no mercado. O levantamento, divulgado em nota pela SBGG, concluiu que, em estudos clínicos de boa qualidade metodológica, nenhuma vitamina, antioxidante, reposição hormonal ou qualquer outra substância demonstrou ser capaz de retardar ou reverter o processo do envelhecimento.

Segundo a entidade, é dever do médico e dos demais profissionais de saúde empreenderem ações preventivas para evitar o tratamento excessivo e proteger os idosos de intervenções inapropriadas e sugerir-lhes alternativas eticamente aceitáveis. Isso porque os idosos são mais sensíveis à iatrogenia – alterações patológicas provocadas no paciente por tratamentos de qualquer tipo – e aos efeitos colaterais adversos dos medicamentos. Portanto, a prescrição para quaisquer indivíduos, principalmente os mais vulneráveis, deve ser baseada em evidências de eficácia e segurança, bem como em indicações estabelecidas cientificamente.

Segundo a entidade, proliferam cursos de extensão, educação continuada e pós-graduação em “medicina antienvelhecimento”, ou com denominações similares, mas cuja base é o treinamento de profissionais para a prescrição de hormônios e outros tratamentos ainda sem comprovação científica, com o suposto objetivo de prevenir, retardar, modular ou reverter o processo de envelhecimento.

Em vez disso, os melhores estudos científicos têm demonstrado a influência do estilo de vida saudável, das atividades físicas e da dieta balanceada para o que se convencionou chamar de envelhecimento bem-sucedido, ativo ou saudável, e que essas orientações jamais devem ser esquecidas na prática clínica.

Recomendações sobre tratamentos antienvelhecimento

Com base no estudo das conclusões científicas publicadas, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia apresentou várias recomendações aos seus associados médicos:

  1. está contraindicada a prescrição de terapia de reposição de hormônios como terapêutica antienvelhecimento com os objetivos de prevenir, retardar, modular e/ou reverter o processo de envelhecimento; prevenir a perda funcional da velhice; e prevenir doenças crônicas e promover o envelhecimento e/ou longevidade saudável.
  2. é vedada a utilização do EDTA (ácido etilenodiamino tetra-acético), procaína, vitaminas e antioxidantes como terapia antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para o tratamento de doenças crônicas degenerativas.
  3. Existem evidências de que algumas vitaminas e antioxidantes podem aumentar o risco de câncer; portanto, a sua suplementação em idosos deve ser recomendada apenas nos casos de benefícios comprovados e/ou de deficiência documentada por exames confiáveis.
  4. Como não existem evidências de que a reposição de testosterona aumente a função e o desempenho físico e melhore a qualidade de vida e a funcionalidade do idoso (nível de evidência A), a reposição androgênica para homens de meia-idade e idosos deve ser indicada somente nos casos de deficiência clínica e laboratorialmente comprovada, em que os benefícios suplantem os riscos, respeitando-se a autonomia dos pacientes em recusar ou aceitar o tratamento.
  5. A reposição estrogênica em mulheres no climatério e pós-menopausa pode aumentar o risco de doença cardiovascular e câncer; portanto, ela está indicada nos casos em que os benefícios suplantem os riscos, respeitando-se a autonomia das pacientes em recusar ou não o tratamento.
  6. As reposições de hormônios tiroidianos e adrenais devem se restringir aos casos de deficiências clínica e laboratorialmente comprovadas, pois não existem evidências de que a sua reposição, na ausência de deficiências, previna, retarde, module ou reverta o processo de envelhecimento, reduza a perda funcional na velhice, previna doenças crônicas, bem como contribua para o envelhecimento saudável.
  7. No caso de indivíduos idosos e de meia idade saudáveis, está contra-indicada a prescrição de hormônio do crescimento com o objetivo de reduzir os efeitos do envelhecimento, tendo em vista que, apesar de seus efeitos na constituição corporal, não existem evidências de que o hormônio do crescimento possa prevenir, retardar, modular ou reverter o processo de envelhecimento, reduzir a perda funcional da velhice, prevenir doenças crônicas ou mesmo contribua para o envelhecimento saudável.
  8. Existem evidências de que a reposição de hormônio do crescimento aumente a incidência de cânceres; portanto nos casos em que ela for recomendada, deve-se monitorar o paciente quanto a esses possíveis efeitos.
  9. A prescrição da DHEA (dehidroepiandrosterona) com os objetivos de prevenir, retardar, modular ou reverter o processo de envelhecimento, reduzir a perda funcional da velhice, prevenir doenças crônicas não deve ser indicada, pois não existem evidências que a justifiquem nessas situações.
  10. Não deve ser indicada a prescrição de hormônios conhecidos como “bioidênticos” para o tratamento antienvelhecimento, com vistas a retardar e/ou modular processo de envelhecimento, prevenir a perda funcional da velhice, prevenir doenças crônicas e promover o envelhecimento e/ou longevidade saudável.

Fonte: Agência Brasil e SBGG / Diário da Saúde

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Saúde básica é menos desigual do que educação

A qualidade do sistema de atendimento básico à saúde nos municípios brasileiros é muito menos desigual do que a do sistema de educação pública no país. A constatação é de uma pesquisa feita no Centro de Estudos da Metrópole (CEM) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP e também um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT).

Nos últimos três anos, pesquisadores do CEM analisaram o desempenho das políticas públicas de educação e de saúde no Brasil na década de 2000 por meio de uma nova metodologia que desenvolveram, denominada Índice do Desempenho da Saúde e da Educação.

Matriz composta por dez indicadores de desempenho de políticas sociais de saúde e educação, avaliados em uma escala de 0 a 1, de acordo com os pesquisadores a metodologia é mais confiável e permite avaliar melhor as políticas de educação e saúde no Brasil do que indicadores como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Deficiências do IDH

Utilizado em larga escala para medir o grau de desenvolvimento econômico e a qualidade de vida oferecida à população de um país em comparação com outros, segundo os pesquisadores do CEM, o IDH não permite uma boa avaliação de sistemas descentralizados de prestação de serviços públicos – como os do Brasil, onde os estados e municípios são responsáveis por prover educação, saúde e outros serviços básicos à população.

“O IDH mede fatores fora do alcance das políticas dos municípios e estados brasileiros, como níveis de analfabetismo e renda. Em função disso, desenvolvemos uma metodologia que consideramos mais confiável e que permite avaliar o desempenho de políticas sociais de saúde e de educação ao alcance de prefeitos ou governadores para que eles possam efetivamente mudar os resultados”, disse Marta Arretche, diretora do CEM e professora do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP).

Ao aplicar a nova metodologia para avaliar o desempenho das políticas de saúde no país nos períodos de 2004 a 2006 e de 2007 a 2009, os pesquisadores constataram não haver grandes desigualdades no sistema de saúde básica no Brasil, inexistindo, por exemplo, de um lado municípios com padrão de excelência e, de outro, municípios cujo sistema público de saúde é muito ruim.

Entretanto, de acordo com os pesquisadores, isto não significa que não houve retrocessos na área da saúde do Brasil na década de 2000. Comparando o período de 2007 a 2009 com o de 2004 a 2006, observou-se que um significativo número de municípios registrou ligeira piora em seu sistema de atendimento de saúde básica. O que, segundo os pesquisadores, está relacionado, em grande parte, ao aumento da taxa de incidência da dengue. “Cerca de 25% dos municípios chegaram a uma situação péssima em relação ao controle da dengue no período de 2007 a 2009, sendo que no período de 2004 a 2006 aproximadamente 5% dos municípios estavam nesse patamar”, disse Arretche.

Ilhas de excelência

Já em relação à educação, há evidências de expressiva melhora em diversos indicadores, acompanhada de um aumento da desigualdade no sistema municipal brasileiro, caracterizado por “ilhas de excelência” – com poucos municípios em situação muito boa, situados nas regiões mais ricas do país, em meio a um “mar” de mau desempenho.

Comparando as notas obtidas pelos municípios nos períodos de 2003 a 2005 e de 2007 a 2009 na Prova Brasil – criada pelo Ministério da Educação (MEC) para avaliar a educação básica no país -, os pesquisadores do CEM observaram que na média o desempenho dos municípios neste quesito melhorou. Contudo, a distância do grupo que apresenta melhor desempenho para os que estão melhorando mais lentamente também está aumentando. “No sistema de educação municipal e estadual brasileiro há um conjunto de municípios cujo desempenho é melhor do que o restante. E está aumentando a desigualdade entre as escolas municipais brasileiras”, disse Arretche.

Alguns dos fatores responsáveis pela mudança de desempenho do sistema educacional municipal brasileiro no período de 2007 a 2009 em comparação com o de 2003 a 2005 foram a melhora da cobertura potencial de creche, a diminuição das taxas de reprovação e de abandono da primeira à oitava série do ensino fundamental, além de uma elevação das notas médias do municípios na Prova Brasil, que são resultados que não se devem apenas à melhoria do sistema escolar. “Essa mudança de desempenho também está relacionada à melhor situação econômica e social do Brasil, que faz com que os alunos não tenham que abandonar a escola”, avaliou Arretche.

Diferenças de desempenho

Segundo os pesquisadores do CEM, uma hipótese para explicar por que a desigualdade no sistema municipal de saúde brasileiro é menor do que na educação estaria na melhor coordenação do primeiro.

“No caso do sistema público de saúde, o governo federal tem maior capacidade de coordenar os municípios para que eles apresentem um determinado padrão de atendimento e de ações de assistência à população. Já em relação à educação, como as redes são municipais e estaduais, a capacidade de coordenação é muito menor”, disse Arretche.

Outro fator que afeta o desempenho das políticas de educação e saúde nos municípios brasileiros é o percentual de pobres. Enquanto na área da saúde os municípios brasileiros com 80% de pobres têm desempenho semelhante ao de municípios com 20% de pobres, na educação municípios com maior percentual de pobres têm desempenho pior. “A pesquisa confirma os resultados de outros estudos que apontam uma relação negativa entre o percentual de pobres no município e o desempenho de seu sistema de educação. Essa relação foi ressaltada de modo consistente pela nova metodologia”, explicou Arretche.

De acordo com os pesquisadores do CEM, os resultados indicados pela pesquisa poderão ser testados com os dados gerais da mostra do Censo 2010, divulgados pelo IBGE no fim de abril, que apresentam uma série de mudanças ocorridas no país de 2000 a 2010, detalhadas por município.

Programa traduz textos em linguagem de sinais

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) criaram um programa de computador que traduz textos em Libras, a Língua Brasileira dos Sinais. Partindo do texto escrito, os sinais são mostrados na tela por um personagem 3D, que os especialistas denominam de agente virtual, mas que é mais popularmente conhecido por avatar. O personagem, que pode ser alterado de acordo com a necessidade ou conveniência do usuário, reproduz os sinais utilizados pela Libras.

“Como a figura humana é apresentada em 3D, o usuário pode aproximar ou mudar o ângulo do avatar, caso queira compreender melhor a mensagem”, explica Wanessa Amaral, que criou o sistema juntamente com o professor José Mário de Martino.

Inclusão digital dos surdos

Segundo Wanessa, existem diversos trabalhos na área da computação voltados à acessibilidade. No entanto, a maioria deles é dirigida aos cegos. Assim, já foram desenvolvidos aplicativos como leitores de tela e até calculadoras programáveis.

“Entretanto, há pouco estudo relacionado aos deficientes auditivos. Isso possivelmente está associado à impressão de que eles não enfrentam problemas nesse campo, uma vez que as informações disponíveis no computador são basicamente visuais. “Mas não é bem assim. Pessoas que adquiriram surdez antes de terem sido alfabetizadas têm muita dificuldade em compreender material escrito em português. De certa forma, elas ficam excluídas do meio digital”, explica.

Ensino de Libras

O programa interativo poderá ser importante não somente para facilitar o acesso dos surdos ao ambiente virtual, mas também para os ouvintes que desejam aprender Libras. “É bom deixar claro que estamos apenas no começo. É o mesmo que aconteceu com a conversão texto-fala. Quando ela teve início, a voz empregada tinha aquele tom robótico. Hoje, está muito diferente. “Nós já percebemos que precisamos aprimorar algumas coisas. O mais importante, porém, é que os testes feitos com a colaboração de deficientes auditivos comprovaram que estamos conseguindo nos comunicar via sistema. Ou seja, estamos passando a informação”, disse José Mário.

“Nossa expectativa, agora, é que alguma empresa se interesse pelo licenciamento da tecnologia. Penso que a ferramenta pode ser uma forte aliada em ações que tenham como objetivo garantir maior acessibilidade aos portadores de deficiência auditiva aos recursos computacionais”, conclui o professor. Na visão do especialista, o sistema pode ser adaptado a quaisquer equipamentos computadorizados, tais como tablets e celulares.

Fonte: Diário da Saúde

Açúcar demais pode emburrecer

Atenção estudantes, ficar tomando refrigerante e beliscando doces por umas seis semanas é o suficiente para emburrecer você e fazê-lo sair-se mal nas provas. É o que garantem cientistas da renomada Universidade da Califórnia em Los Angeles.

Usando animais de laboratório, o estudo mostrou que uma dieta constante com elevada dose de frutose deixa o cérebro mais lento, prejudicando a memória e a aprendizagem.

Embora pesquisas anteriores já tenham demonstrado como a frutose prejudica o corpo através do seu papel na obesidade, no diabetes e no fígado, este estudo é o primeiro a mostrar que os adoçantes usados pela indústria influenciam o cérebro.

O que você come afeta como você pensa

A equipe se concentrou no xarope de milho, um líquido de baixo custo e elevado teor de frutose, seis vezes mais doce do que o açúcar de cana-de-açúcar, que é adicionado aos alimentos processados, incluindo refrigerantes, condimentos, e alimentos para bebês.

“Nós não estamos falando da frutose que ocorre naturalmente nas frutas, que também contêm antioxidantes importantes,” explicou Fernando Gómez-Pinilla, um dos autores do estudo. “Estamos preocupados com o xarope de milho com elevado teor de frutose que é adicionado aos alimentos industrializados, como adoçante e conservante.”

Outra boa notícia é que o estudo também demonstrou que a ingestão de alimentos ricos em ácidos graxos ômega 3 pode diminuir os efeitos maléficos desses alimentos e bebidas adocicados. “Nossas descobertas mostram que o que você come afeta como você pensa,” disse Gomez-Pinilla. “Adotar uma dieta rica em frutose ao longo do tempo altera a capacidade do seu cérebro para aprender e lembrar de informações. Mas a adição de ômega-3 nas suas refeições pode ajudar a minimizar os danos.”

Óleo de linhaça e ácido docosahexaenóico

Os animais de laboratório aprenderam a percorrer um labirinto. A seguir, eles foram divididos em grupos e submetidos a dietas ricas em frutose derivada de xarope de milho, diluída na água que bebiam.

Um dos grupos recebeu também suplementos de ômega 3 na forma de óleo de linhaça e ácido docosahexaenóico (DHA), que protege contra danos às sinapses – as ligações químicas entre as células cerebrais que permitem a memória e a aprendizagem.

“O DHA é essencial para a função sináptica, a capacidade das células cerebrais de transmitir sinais umas para as outras,” diz Gomez-Pinilla. “Este é o mecanismo que torna o aprendizado e memória possíveis. Nossos corpos não podem produzir DHA suficiente, por isso ele deve ser complementado através da nossa dieta.”

Resistência à insulina

Depois das seis semanas, o grupo que ingeriu mais frutose teve um desempenho muito pior do labirinto do que os ratos de controle – todos haviam aprendido o labirinto seis semanas antes. Mas os animais que receberam o suplemento de ômega 3 não se saíram tão mal assim.

Os ratos que ingeriram o alimento adocicado e não receberam ômega 3 também desenvolveram sinais de resistência à insulina, um hormônio que, além de controlar o açúcar no sangue, também regula a função sináptica no cérebro.

Um olhar mais atento no tecido cerebral dos ratos sugere que a insulina perdeu muito de seu poder de influenciar as células do cérebro. “Nossas descobertas sugerem que consumir ômega 3 regularmente protege o cérebro contra os efeitos nocivos da frutose,” disse Gomez-Pinilla.

Ou você pode deixar os refrigerantes e doces de lado e contar com os ganhos extras da alimentação mais saudável.

Fonte: Diário da Saúde

Pesquisador brasileiro descobre molécula que reverte insuficiência cardíaca

Uma molécula desenvolvida por pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, e da Universidade de São Paulo (USP) se mostrou capaz de estabilizar e até mesmo reverter o processo degenerativo observado na insuficiência cardíaca. O mal é caracterizado pela incapacidade do coração em bombear sangue adequadamente e leva à morte 70% dos afetados nos primeiros cinco anos. As informações são da Agência Fapesp.

Os resultados dos testes pré-clínicos com a molécula batizada de βIIV5-3 foram divulgados na revista PLoS One. A pesquisa faz parte do pós-doutorado do professor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, Julio Cesar Batista Ferreira. “A insuficiência cardíaca é o resultado final comum de diferentes doenças cardiovasculares, como infarto do miocárdio e hipertensão arterial. Depois que o problema se instala, a sobrevida do paciente costuma ser relativamente curta, mesmo com a ajuda de todos os fármacos do mercado”, disse o pesquisador.

Ainda durante o doutorado, Ferreira encontrou evidências de que uma proteína chamada PKCβII que poderia ser a vilã por trás do processo que leva à insuficiência cardíaca. Para testar sua hipótese, decidiu criar uma molécula capaz de inibir a ação dessa proteína nas células do coração. O trabalho foi feito em colaboração com a pesquisadora Daria Mochly-Rosen, da Escola de Medicina de Stanford.

“O βIIV5-3 é uma combinação de seis aminoácidos ligados a uma molécula carreadora, capaz de atravessar a membrana celular. Esse princípio ativo inibe a interação da proteína com seu receptor”, disse Ferreira. Para chegar a essa combinação, os cientistas usaram programas de computador capazes de alinhar duas proteínas e apontar semelhanças e diferenças estruturais. “Isso permite escolher regiões específicas de interação entre essas proteínas”.

A equipe então testou a molécula em dois modelos animais. No primeiro, um grupo de ratos passou por uma cirurgia para obstruir uma artéria coronária e induzir o infarto. Cerca de um mês depois, os animais apresentaram sinais de insuficiência cardíaca. Metade foi tratada com o βIIV5-3 por seis semanas e a outra metade recebeu placebo. “Após as seis semanas, a função cardíaca havia melhorado cerca de duas vezes nos animais tratados com o βIIV5-3, quando comparada ao grupo controle. Além disso, a mortalidade caiu de 35% para 3%”, contou Ferreira.

O segundo experimento foi feito com ratos que apresentavam grande sensibilidade ao sódio. Com seis semanas de vida, os animais foram submetidos a uma dieta rica em sal e, logo em seguida, desenvolveram hipertensão. Quando completaram 11 semanas, já estavam com sinais de insuficiência cardíaca e passaram a receber o tratamento ou o placebo. A função cardíaca dos animais que receberam o βIIV5-3 melhorou duas vezes em relação ao grupo controle e, nesse caso, ficou igual à de ratos sem insuficiência cardíaca. Já a mortalidade caiu de 50% para 0%.

Antes de testar o candidato a fármaco em seres humanos, os pesquisadores pretendem realizar outra rodada de ensaios pré-clínicos com animais de maior porte, possivelmente porcos. “A molécula já foi bem-sucedida nos testes de toxicidade realizados em animais. Se tudo correr bem, dentro de aproximadamente sete anos saberemos com certeza se ela poderá se tornar um medicamento”, afirmou Ferreira.

Fonte: Terra

Exclusão social faz o cérebro adoecer

Estudos desenvolvidos em centros de pesquisas de várias partes do mundo apontam o Alzheimer como a principal causa da perda progressiva das capacidades cognitivas entre os idosos, acometendo principalmente as mulheres. Agora, pesquisadores brasileiros do Departamento de Psicopatologia e Neurologia da Faculdade de Medicina de Catanduva realizaram um estudo para obter dados atualizados e mais próximos da realidade do país. Descobriram que por aqui pessoas mais pobres e com baixo nível de instrução têm mais risco de desenvolver a doença. O estudo foi publicado na Revista de Psiquiatria Clínica.

Para chegarem a essa conclusão, o neurologista Emilio Herrera Junior e sua equipe selecionaram aleatoriamente 1660 homens e mulheres, com 65 anos ou mais e aplicaram um questionário de identificação, sobre estado de saúde, memória e classificação socioeconômica. Também foram aplicados o Mini Exame do Estado Mental (MEEM) e o Questionário das Atividades Funcionais de Pfeffer et al. (QPAF).

Depois, os indivíduos selecionados foram submetidos a anamnese, bateria de testes neuropsicológicos e avaliação dos distúrbios comportamentais. Aqueles que tiveram alterações significativas de memória, passaram ainda por exame médico complementar para eliminar outras possíveis causas de declínio cognitivo.

Os pesquisadores descobriram que 7,1% das pessoas analisadas tinham algum tipo de demência, metade delas sofria de Alzheimer. Além disso, verificaram que pessoas analfabetas mostraram maior probabilidade de desenvolver a patologia, cerca de 11,8%, contra apenas 2% entre aquelas com oito ou mais anos de escolaridade. Também o nível socioeconômico parece influenciar: os participantes de classe social mais baixa mostraram 10,9% a mais de risco de desenvolver a síndrome demencial do que as mais favorecidas economicamente.

Esse e outros trabalhos científicos estão sendo apresentados em São Paulo no 8º Congresso Brasileiro de Cérebro, Comportamento e Emoções.

8º Congresso Brasileiro de Cérebro, Comportamento e Emoções: de 2 a 5 de maio. Centro de Convenções Frei Caneca, rua Frei Caneca, 569, Consolação, São Paulo, SP. Informações pelo site http://www.cbcce.com.br.

Fonte: ViverMente

Robôs professores poderão ensinar humanos?

Os cientistas conhecem muito bem as dificuldades de ensinar aos robôs mesmo as tarefas mais simples. Isso tem levado alguns a tentar com que os robôs aprendam sozinhos, ou que aprendam com sua própria experiência, ou até mesmo, quem sabe, lendo uma Wikipedia robótica.

Por isso não deixa de impressionar o objetivo a que se propuseram Bilge Mutlu e Michael Gleicher, da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos. Eles querem criar robôs capazes de ensinar aos seres humanos.

Pode parecer pretensioso pensar que os robôs já tenham alcançado um nível que os permita substituir um professor humano em uma sala de aula, mas os primeiros testes em robôs e personagens virtuais trazem algum entusiasmo, se não com uma aula ao vivo, pelo menos em instruções mais breves ou em aprendizado via computador.

Pedagogia robótica

Como é relativamente fácil dar a um robô o acesso a qualquer base de dados e a um número ilimitado de instruções, os pesquisadores se voltaram para algo que pode fazer a diferença: o comportamento dos robôs.

Segundo eles, robôs que olham e gesticulam como humanos são muito mais eficazes para passar informações, como já demonstraram em laboratório. E, quando se trata de comunicação, às vezes é a nossa linguagem corporal que fala mais – especialmente os nossos olhos.

Robôs professores poderão ensinar humanos?

Outras pesquisas já demonstraram que robôs podem ser muito eficientes para ensinar crianças com deficiências cognitivas, sobretudo autismo. Para demonstrar isso, um pequeno robô amarelo recebe voluntários que entram no laboratório: “Oi, eu sou Wakamaru, prazer em te conhecer. Eu tenho uma tarefa para você: organize esses objetos sobre a mesa por categorias, colocando-os nas caixas.”

Com alguns voluntários, o robô, muito naturalmente, olha em direção aos objetos enquanto fala. Com outros, o robô apenas olha diretamente para a pessoa. Mutlu diz que os resultados são bastante claros: “Quando o robô usa o olhar como um humano o faria, as pessoas são muito mais rápidas em localizar os objetos que têm que mover.”

Modelagem de comportamentos

E é principalmente assim, observando humanos, que os dois pesquisadores estão rastreando o papel do olhar, e as informações que o olhar humano transmite na comunicação, que eles planejam desenvolver algoritmos de controle que possam ser associados com as informações textuais que os robôs ou personagens virtuais têm que passar.

“São comportamentos que podem ser modelados e, em seguida, programados nos robôs para que eles, os comportamentos, possam ser usados pelo robô sempre que necessário, para se referir a algo e certificar-se de que as pessoas entendam a que o robô está se referindo,” explica Mutlu.

A teoria está sendo testada em um agente virtual, este sim, capaz de dar aulas pelo computador. Ao dizer “Olá. Hoje eu vou lhes falar um pouco sobre a história da China Antiga”, o personagem “sabe” que há um mapa da China sendo projetado atrás de si e, de forma quase natural, vira-se, olha e aponta para o mapa, como se fosse a moça da previsão do tempo durante os telejornais.

Isso encorajou os dois pesquisadores a falarem em robôs em salas de aula, não como alunos, mas como professores. “Nós podemos projetar tecnologias que realmente beneficiem as pessoas no aprendizado, na saúde e no bem-estar, e em trabalhos colaborativos,” conclui Mutlu.

Fonte: iT