OMS lança campanha de emergência global contra a pólio

A poliomielite foi declarada uma “emergência global”, depois de serem registrados surtos considerados “explosivos” em países que, até então, estavam livres da doença. A Iniciativa Global de Erradicação da Pólio lançou nesta quinta-feira planos para aumentar as campanhas de vacinação na Nigéria, no Paquistão e no Afeganistão, únicos países em que a doença ainda é endêmica.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma das patrocinadoras da iniciativa, a pólio está em um “momento crítico” globalmente, entre o sucesso e o fracasso.

Surtos horríveis

A pólio é uma doença infecciosa causada por um vírus, que invade o sistema nervoso e pode causar paralisia total em questão de horas, explica a OMS. Em um em cada 200 casos, essa paralisia é irreversível. As principais vítimas são crianças até de cinco anos. “Nos últimos dois anos, em três continentes – Europa, África e Ásia – vimos surtos horríveis da doença. Em alguns casos, 50% (dos infectados) morreram”, declarou Bruce Aylward, líder da campanha de erradicação da pólio da OMS. “Isso nos fez lembrar que, se a erradicação falhar, teremos um ressurgimento maligno e em grande escala da doença, com consequências difíceis de serem previstas no momento.”

Erradicação da pólio

Os esforços para combater a pólio, em curso há mais de 20 anos, deram bons resultados, ainda que o plano de erradicar a doença até o ano 2000 não tenha sido totalmente cumprido. Em 1988, a doença era endêmica em 125 países; atualmente, é apenas em três. A Índia, que anos atrás era considerado um dos países mais flagelados pela pólio, conseguiu ficar livre do mal em fevereiro.

Mas houve surtos recentes na África, no Tadjiquistão e na China; algumas dessas regiões registraram seus primeiros casos da doença em mais de uma década. Nesse cenário, um país-chave é o Paquistão, onde a pólio ainda é endêmica. Ali, quase 200 crianças ficaram paralíticas por causa da doença em 2011 – o pior índice em 15 anos. E o vírus cruzou as fronteiras paquistanesas, causando surtos na China e no Afeganistão.

O governo paquistanês lançou uma campanha de vacinação, mas admite que muitas crianças não foram imunizadas, por dificuldades que vão desde enchentes até a oposição de clérigos e ofensivas militares contra o Talebã paquistanês.

Crianças não vacinadas

Para Aylward, da OMS, a estratégia da iniciativa atual pode ser resumida como “uma busca incessante por crianças que ainda não tenham sido vacinadas”. Mas ele alertou para um déficit de US$ 950 milhões para financiar as campanhas e admitiu que foi preciso cortar iniciativas em alguns países.

A OMS disse estar trabalhando em “modo emergencial”, alegando que a falta de ação pode levar à paralisia de até 200 mil crianças por ano no mundo em uma década. Entre essas vítimas, estatísticas mostram que entre 5% e 10% das infecções a doença pode levar à morte, já que os músculos respiratórios também podem ser imobilizados.

Para Anthony Lake, diretor-executivo da Unicef, “todos os nossos esforços (pela erradicação) estarão a perigo até que todas as crianças estejam completamente imunizadas contra a pólio – e isso significa que temos que financiar o esforço de combate e chegar às crianças até agora inacessíveis”.

Fonte: Diário da Saúde

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