Mais atenção aos alunos notívagos

O crescimento dos cursos noturnos, que acompanhou a expansão das instituições de ensino superior desde a década de 1990, é um reflexo do aumento da demanda de estudantes trabalhadores. Manter o interesse dos alunos até o final do curso, no entanto, ainda é um desafio para as instituições, que, especialmente no turno da noite, precisam lançar mão de recursos que favoreçam a motivação dos estudantes para o aprendizado, como o oferecimento de currículo, carga horária e instalações adequados ao período, além de ter professores dinâmicos e motivadores.

Os cursos noturnos das instituições particulares são o universo mais representativo do aumento do ensino superior no Brasil. Estudo do Observatório Universitário, uma organização não governamental que analisa o setor universitário brasileiro, de agosto de 2009, estima que, em média, 70% dos alunos das instituições de ensino superior particular estão matriculados no período noturno.

O documento mostra que, em 1999, 55,7% dos alunos estudavam à noite. Oito anos depois, em 2007, o percentual passou para 61,7%. Enquanto o ensino diurno registrou 821.961 novas matrículas no período, os cursos noturnos registraram cerca do dobro, com 1.688.475 novos alunos. O crescimento é atribuído aos novos estudantes oriundos majoritariamente das classes C e D, que trabalham durante o dia e por isso buscam a graduação à noite. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2002 e 2009, a proporção de universitários originários dessas classes sociais subiu de 45,3% para 72,4%.

Estrutura adequada
Para atender melhor esses alunos e garantir que eles permaneçam na instituição até a conclusão do curso, é preciso atentar às diferenças no perfil dos estudantes do diurno e noturno. “Normalmente não há uma gestão específica para esses segmentos, o que é uma falha. Isso pode desmotivar o aluno e afastá-lo da escola”, diz Humberto Felipe da Silva, consultor educacional da TP&S Consultoria.

De acordo com o consultor, são vários os fatores que podem contribuir para criar um ambiente acolhedor, de conhecimento e que mantenha o interesse do aluno no decorrer do curso. Um deles é a configuração do espaço físico, mais propício para circulação à noite, com estrutura adequada para receber os alunos tanto nas salas de aula quanto nos demais espaços educativos, como bibliotecas, ou setores administrativos do campus. É recomendado adotar uma boa iluminação, limpeza e instalações modernas com quadros de avisos informatizados, por exemplo, que chamam a atenção do aluno, além de possibilitar um diálogo mais direto com ele.

Outro fator essencial está justamente relacionado ao atendimento do estudante. É preciso conhecer o perfil do matriculado, suas aspirações e dificuldades e procurar manter uma comunicação de maneira individualizada com o aluno, a fim de lhe dar suporte para a resolução de eventuais problemas enfrentados, seja no que diz respeito a sua vida acadêmica ou em relação a dificuldades de ordem administrativa e financeira. Para a professora Lourdes de Fátima Possani, doutora em Educação pela PUC São Paulo e organizadora do livro Reforma Universitária: sinais do Sinaes, um dos pontos mais importantes refere-se ao currículo e a questões pedagógicas. “Precisamos de um currículo diferenciado, que considere a peculiaridade do aluno trabalhador, sem que haja empobrecimento em relação a conteúdos e metodologia de ensino, bem como apoio pedagógico específico nas áreas onde for detectada maior necessidade de acompanhamento”, afirma a educadora.

Edson Nunes, pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento da Universidade Candido Mendes, também é favorável a um currículo ajustado. “`Podem-se oferecer disciplinas de educação suplementar, que complementem o conteúdo do curso”, aponta Nunes. Especialistas e educadores concordam que o professor é um dos elos mais importantes no processo de ensino, pois é com ele que o aluno passa a maior parte do tempo na escola. Nesse sentido, uma dica é investir no corpo docente, com a contratação de professores dinâmicos e atentos às necessidades de aprendizado dos alunos.

“O professor deve respeitar e considerar a experiência de vida e de trabalho do estudante, propiciando-lhe articular sua experiência com novos saberes, no sentido de não só receber, mas também construir conhecimento”, afirma a professora Lourdes. Além disso, o docente deve se manter atualizado e propor novas abordagens de aprendizado.

Fonte: Revista Ensino Superior

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