Médicos não conseguem diagnosticar seu próprio estresse

Médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) não têm consciência da pressão que a rotina do trabalho exerce em suas vidas. Luiz Chiavegato Filho, em um trabalho realizado na USP, entrevistou médicos e gestores da saúde para tentar entender como eles avaliavam o próprio estresse.

As entrevistas apontaram diversos fatores para sua vida estressante, mas não conseguiram chegar sozinhos a conclusão de como o modelo de saúde ali desenvolvido contribuía para esses problemas.

Doença de médico

Diversos estudos realizados na última década mostram que a classe médica brasileira passa por um período de enormes transformações, compondo um novo cenário que altera as condições e a organização do trabalho, repercutindo na saúde desses profissionais.

O mesmo pode ser constatado por Chiavegato em sua pesquisa, onde a hipertensão e os distúrbios psíquicos menores, sob a forma de estresse, ansiedade e depressão foram os principais problemas de saúde relatados. Contudo, mesmo passando por esses problemas, os médicos não pedem afastamento.

Eles não conseguem identificar na causa desses distúrbios a rotina estressante. “Como geralmente são problemas pequenos, eles acreditam que o problema está com eles mesmos. É impressionante, mas eles não pedem afastamento por acharem que a culpa está neles e não na estrutura do trabalho”, comenta.

O pesquisador diz que é preciso que esses profissionais identifiquem em suas rotinas o motivo para tantos desconfortos. Esses chamados “distúrbios psíquicos menores” precisam receber a devida atenção, pois comprometem a qualidade de vida daquelas pessoas.

Hora marcada

“Eles têm uma estrutura rígida de organização. Um médico sabe que tem de atender um paciente a cada quinze minutos, quatro por hora. Eles ficam constantemente sob pressão”, diz o pesquisador, que é professor adjunto da Universidade Federal de São João Del-Rei (MG).

Para o psicólogo, a criação do SUS foi um passo muito importante para a conquista de qualidade na saúde pública brasileira. Entretanto, a gestão das relações de trabalho e organização das práticas de saúde ainda são um importante desafio.

Isso porque, historicamente, questões como atendimento clínico são privilegiadas, enquanto ações para o interesse coletivo, desprecarização do trabalho, construção de um plano de carreira e redução da rotatividade são deixados de lado.

Trabalho isolado

“Muitos médicos disseram que gostariam de se sentir parte de uma equipe. Ficar isolado no trabalho individual só atrapalha aquelas pessoas, porque elas não têm com quem dividir suas experiências. Os recursos coletivos são muito importantes”, diz o pesquisador.

Uma solução seria aumentar a participação dos médicos e demais profissionais da saúde na construção do processo de trabalho nas Unidades Básicas de Saúde, promovendo ambientes laborais mais saudáveis e estimulantes.

Fonte: Agência USP

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: